Convulsões na Infância: Do Diagnóstico Diferencial ao Manejo de Emergência
Ver uma criança convulsionar é traumático, mas o conhecimento é o melhor antídoto para o pânico. A maioria das epilepsias infantis é tratável e permite uma vida plena, escolar e social, desde que haja adesão correta à medicação e regularidade no sono.
Convulsões na Infância: Do Diagnóstico Diferencial ao Manejo de Emergência
As Convulsões na Infância representam uma das emergências neurológicas mais frequentes e assustadoras para os pais.
No Portal Saúde AZ, diferenciamos com rigor técnico os eventos agudos (como a crise febril) das síndromes epilépticas crônicas, detalhando os protocolos de neuroproteção e o manejo farmacológico adequado para cada tipo de crise.
Teia de Conexões Clínicas
| Especialidade | Foco Clínico | Artigo Recomendado |
|---|---|---|
| Neuropediatria | Investigação Elétrica | Video-EEG: Padrão Ouro |
| Emergência | Crise Febril | Febre Alta e Convulsão: O Guia |
| Farmacologia | Medicação de Resgate | Cannabidiol: Indicações Reais |
Referências Oficiais e Protocolos
Para diretrizes de primeiros socorros e protocolos de medicação, consulte:
- LBE: Liga Brasileira de Epilepsia (Diretrizes Nacionais)
- ILAE: International League Against Epilepsy (Classificação Mundial)
- SBP: Sociedade Brasileira de Pediatria (Departamento de Neurologia)
- Epilepsy Foundation: Seizure First Aid (Primeiros Socorros)
- NINDS: National Institute of Neurological Disorders and Stroke
Tabela Comparativa: Tipos de Eventos Paroxísticos
| Tipo de Evento | Características | Prognóstico |
|---|---|---|
| Convulsão Febril | Ocorre entre 6 meses e 5 anos, desencadeada por febre rápida. Geralmente tônico-clônica e curta (< 5 min). | Excelente. Benigna, não deixa sequelas e desaparece com a idade. |
| Crise de Ausência | “Desligamento” súbito (olhar vago) por segundos, sem queda. Pode ocorrer dezenas de vezes ao dia. | Bom. Responde bem à medicação e pode remitir na adolescência. |
| Crise Tônico-Clônica (Grande Mal) | Perda de consciência, rigidez muscular (fase tônica) seguida de abalos rítmicos (fase clônica). | Variável. Exige investigação de epilepsia. |
| Síncope (Desmaio) | Perda de consciência por queda de pressão/fluxo sanguíneo. Palidez antes da queda. Recuperação rápida. | Benigno. Não é neurológico, é cardiovascular/vagal. |
Roteiro de Diagnóstico e “Gold Standard”
Nem todo “desmaio” ou “tremor” é convulsão. O diagnóstico preciso evita medicação desnecessária:
- 1. Anamnese Detalhada (Vídeo Caseiro): O relato dos pais ou, melhor ainda, um vídeo da crise feito pelo celular, é a ferramenta mais valiosa para o neurologista diferenciar crises epilépticas de parassonias ou espasmos.
- 2. Eletroencefalograma (EEG): Exame essencial para detectar descargas elétricas anormais. O EEG em sono e vigília aumenta a sensibilidade.
- 3. Ressonância Magnética (RM) de Crânio: Padrão ouro para buscar causas estruturais (malformações, displasias corticais, esclerose hipocampal). A Tomografia (TC) é usada apenas na emergência.
- 4. Painel Genético: Indicado em epilepsias refratárias ou síndromes específicas (ex: Dravet, West) para guiar o tratamento de precisão.
Complicações Graves e Vigilância Médica
A atenção deve ser redobrada para evitar danos neuronais:
- Estado de Mal Epiléptico (Status Epilepticus): Uma crise que dura mais de 5 minutos ou crises repetidas sem recuperação da consciência. É uma emergência médica absoluta com risco de lesão cerebral e requer sedação imediata.
- SUDEP: Morte Súbita e Inesperada em Epilepsia. Rara em crianças, mas associada a epilepsias noturnas não controladas (tônico-clônicas). O controle das crises é a melhor prevenção.
- Atraso Cognitivo: Crises frequentes ou descargas elétricas contínuas durante o sono podem prejudicar a consolidação da memória e o aprendizado escolar.
Tratamento e Farmacologia Avançada
O manejo divide-se em agudo (na hora da crise) e crônico (manutenção):
- Primeiros Socorros (Manejo Agudo):
- Manter a calma.
- Colocar a criança deitada de lado (decúbito lateral) para evitar aspiração de saliva/vômito.
- Proteger a cabeça com algo macio.
- Cronometrar o tempo. Se > 5 minutos, chamar ambulância (SAMU 192).
- NUNCA introduzir nada na boca.
- Tratamento Medicamentoso (Crônico):
- Primeira Linha: Valproato de Sódio, Levetiracetam (Keppra), Carbamazepina, Lamotrigina. A escolha depende do tipo de crise (focal vs. generalizada).
- Epilepsias de Difícil Controle: Dieta Cetogênica (rica em gorduras), Canabidiol (CBD) puro, Estimulador do Nervo Vago (VNS) ou Cirurgia de Epilepsia.
FAQ: Perguntas Críticas
- A criança pode morrer durante uma convulsão? É extremamente raro morrer durante a crise, a menos que haja afogamento ou trauma grave na queda. A crise geralmente para sozinha em 2 a 3 minutos.
- Depois da crise, é normal dormir? Sim. O período pós-ictal é marcado por sonolência profunda, confusão mental e cansaço extremo. Deixe a criança descansar.
- Vídeo game causa convulsão? Apenas na Epilepsia Fotossensível (cerca de 3-5% dos casos). A maioria das crianças com epilepsia pode jogar, com moderação e em ambiente iluminado.
- Pode praticar natação? Sim, mas nunca sozinha. A supervisão direta (adulto dentro da água ou na borda atento) é obrigatória pelo risco de afogamento silencioso.
- Convulsão febril deixa sequelas? Não. É assustadora, mas benigna. Não causa dano cerebral nem deficiência intelectual.
- Quando parar o remédio? Geralmente, após 2 anos sem crises, o neurologista pode tentar o “desmame” lento da medicação. Nunca pare abruptamente.
- O que é Crise de Perda de Fôlego? É quando a criança chora muito, fica roxa (cianótica) ou pálida e “apaga” por segundos. Não é epilepsia, é comportamental/reflexo.
- Pode tomar vacinas? Sim. Crianças com epilepsia estável devem seguir o calendário normal. Em síndromes específicas (Dravet), pode haver precauções.
- O estresse desencadeia crises? Sim, privação de sono e estresse emocional são gatilhos poderosos para “furar” o bloqueio da medicação.
- O que é aura? É uma sensação (cheiro estranho, medo súbito, formigamento) que avisa que a crise vai acontecer. Comum em crises focais.
Curiosidades e Doenças Similares
Curiosidade: Na antiguidade, a epilepsia era chamada de “Doença Sagrada”, pois acreditava-se que o paciente recebia mensagens divinas durante a crise. São Valentim é o padroeiro das pessoas com epilepsia.
Doenças similares: Espasmo do Soluço, Terror Noturno, Síncope Vasovagal, Mioclonias do Sono (sustos ao dormir).
AVISO LEGAL E CLÍNICO: O conteúdo do Portal Saúde AZ é educativo. Se for a primeira crise da vida, a criança deve ser levada imediatamente ao Pronto Socorro para investigação (TC/exames de sangue) e exclusão de causas graves como meningite.
Resumo Clínico: Ver uma criança convulsionar é traumático, mas o conhecimento é o melhor antídoto para o pânico. A maioria das epilepsias infantis é tratável e permite uma vida plena, escolar e social, desde que haja adesão correta à medicação e regularidade no sono.
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