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Convulsões na Infância: Do Diagnóstico Diferencial ao Manejo de Emergência

Ver uma criança convulsionar é traumático, mas o conhecimento é o melhor antídoto para o pânico. A maioria das epilepsias infantis é tratável e permite uma vida plena, escolar e social, desde que haja adesão correta à medicação e regularidade no sono.

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Convulsões na Infância: Do Diagnóstico Diferencial ao Manejo de Emergência

As Convulsões na Infância representam uma das emergências neurológicas mais frequentes e assustadoras para os pais.

No Portal Saúde AZ, diferenciamos com rigor técnico os eventos agudos (como a crise febril) das síndromes epilépticas crônicas, detalhando os protocolos de neuroproteção e o manejo farmacológico adequado para cada tipo de crise.

Teia de Conexões Clínicas

Especialidade Foco Clínico Artigo Recomendado
Neuropediatria Investigação Elétrica Video-EEG: Padrão Ouro
Emergência Crise Febril Febre Alta e Convulsão: O Guia
Farmacologia Medicação de Resgate Cannabidiol: Indicações Reais

Referências Oficiais e Protocolos

Para diretrizes de primeiros socorros e protocolos de medicação, consulte:

Tabela Comparativa: Tipos de Eventos Paroxísticos

Tipo de Evento Características Prognóstico
Convulsão Febril Ocorre entre 6 meses e 5 anos, desencadeada por febre rápida. Geralmente tônico-clônica e curta (< 5 min). Excelente. Benigna, não deixa sequelas e desaparece com a idade.
Crise de Ausência “Desligamento” súbito (olhar vago) por segundos, sem queda. Pode ocorrer dezenas de vezes ao dia. Bom. Responde bem à medicação e pode remitir na adolescência.
Crise Tônico-Clônica (Grande Mal) Perda de consciência, rigidez muscular (fase tônica) seguida de abalos rítmicos (fase clônica). Variável. Exige investigação de epilepsia.
Síncope (Desmaio) Perda de consciência por queda de pressão/fluxo sanguíneo. Palidez antes da queda. Recuperação rápida. Benigno. Não é neurológico, é cardiovascular/vagal.

Roteiro de Diagnóstico e “Gold Standard”

Nem todo “desmaio” ou “tremor” é convulsão. O diagnóstico preciso evita medicação desnecessária:

  • 1. Anamnese Detalhada (Vídeo Caseiro): O relato dos pais ou, melhor ainda, um vídeo da crise feito pelo celular, é a ferramenta mais valiosa para o neurologista diferenciar crises epilépticas de parassonias ou espasmos.
  • 2. Eletroencefalograma (EEG): Exame essencial para detectar descargas elétricas anormais. O EEG em sono e vigília aumenta a sensibilidade.
  • 3. Ressonância Magnética (RM) de Crânio: Padrão ouro para buscar causas estruturais (malformações, displasias corticais, esclerose hipocampal). A Tomografia (TC) é usada apenas na emergência.
  • 4. Painel Genético: Indicado em epilepsias refratárias ou síndromes específicas (ex: Dravet, West) para guiar o tratamento de precisão.

Complicações Graves e Vigilância Médica

A atenção deve ser redobrada para evitar danos neuronais:

  • Estado de Mal Epiléptico (Status Epilepticus): Uma crise que dura mais de 5 minutos ou crises repetidas sem recuperação da consciência. É uma emergência médica absoluta com risco de lesão cerebral e requer sedação imediata.
  • SUDEP: Morte Súbita e Inesperada em Epilepsia. Rara em crianças, mas associada a epilepsias noturnas não controladas (tônico-clônicas). O controle das crises é a melhor prevenção.
  • Atraso Cognitivo: Crises frequentes ou descargas elétricas contínuas durante o sono podem prejudicar a consolidação da memória e o aprendizado escolar.

Tratamento e Farmacologia Avançada

O manejo divide-se em agudo (na hora da crise) e crônico (manutenção):

  • Primeiros Socorros (Manejo Agudo):
    • Manter a calma.
    • Colocar a criança deitada de lado (decúbito lateral) para evitar aspiração de saliva/vômito.
    • Proteger a cabeça com algo macio.
    • Cronometrar o tempo. Se > 5 minutos, chamar ambulância (SAMU 192).
    • NUNCA introduzir nada na boca.
  • Tratamento Medicamentoso (Crônico):
    • Primeira Linha: Valproato de Sódio, Levetiracetam (Keppra), Carbamazepina, Lamotrigina. A escolha depende do tipo de crise (focal vs. generalizada).
    • Epilepsias de Difícil Controle: Dieta Cetogênica (rica em gorduras), Canabidiol (CBD) puro, Estimulador do Nervo Vago (VNS) ou Cirurgia de Epilepsia.

FAQ: Perguntas Críticas

  1. A criança pode morrer durante uma convulsão? É extremamente raro morrer durante a crise, a menos que haja afogamento ou trauma grave na queda. A crise geralmente para sozinha em 2 a 3 minutos.
  2. Depois da crise, é normal dormir? Sim. O período pós-ictal é marcado por sonolência profunda, confusão mental e cansaço extremo. Deixe a criança descansar.
  3. Vídeo game causa convulsão? Apenas na Epilepsia Fotossensível (cerca de 3-5% dos casos). A maioria das crianças com epilepsia pode jogar, com moderação e em ambiente iluminado.
  4. Pode praticar natação? Sim, mas nunca sozinha. A supervisão direta (adulto dentro da água ou na borda atento) é obrigatória pelo risco de afogamento silencioso.
  5. Convulsão febril deixa sequelas? Não. É assustadora, mas benigna. Não causa dano cerebral nem deficiência intelectual.
  6. Quando parar o remédio? Geralmente, após 2 anos sem crises, o neurologista pode tentar o “desmame” lento da medicação. Nunca pare abruptamente.
  7. O que é Crise de Perda de Fôlego? É quando a criança chora muito, fica roxa (cianótica) ou pálida e “apaga” por segundos. Não é epilepsia, é comportamental/reflexo.
  8. Pode tomar vacinas? Sim. Crianças com epilepsia estável devem seguir o calendário normal. Em síndromes específicas (Dravet), pode haver precauções.
  9. O estresse desencadeia crises? Sim, privação de sono e estresse emocional são gatilhos poderosos para “furar” o bloqueio da medicação.
  10. O que é aura? É uma sensação (cheiro estranho, medo súbito, formigamento) que avisa que a crise vai acontecer. Comum em crises focais.

Curiosidades e Doenças Similares

Curiosidade: Na antiguidade, a epilepsia era chamada de “Doença Sagrada”, pois acreditava-se que o paciente recebia mensagens divinas durante a crise. São Valentim é o padroeiro das pessoas com epilepsia.
Doenças similares: Espasmo do Soluço, Terror Noturno, Síncope Vasovagal, Mioclonias do Sono (sustos ao dormir).

AVISO LEGAL E CLÍNICO: O conteúdo do Portal Saúde AZ é educativo. Se for a primeira crise da vida, a criança deve ser levada imediatamente ao Pronto Socorro para investigação (TC/exames de sangue) e exclusão de causas graves como meningite.

Resumo Clínico: Ver uma criança convulsionar é traumático, mas o conhecimento é o melhor antídoto para o pânico. A maioria das epilepsias infantis é tratável e permite uma vida plena, escolar e social, desde que haja adesão correta à medicação e regularidade no sono.

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